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No. 2207
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Sou eu que protesto, prezado confrade, contra esse tipo de discurso, que camufla e distorce o senso das proporções. É óbvio que sempre tivemos Penélopes e Clódias dentre nós; que sempre se compartilhou as vias ápias, as auto-estradas e os ventrillos com pessoas pacientes e virtuosas, e viciosas e inconsistentes.
Se o confrade criticado errou ao referenciar uma era perfeita, acertou ao chamar o que quer que tenha pensado de perfeito, visto que se sempre tivemos Caios CalÃgulas, eles sempre tiveram de cometer suas barbáries com o Gládio empunhado e não com a arma do covarde, e se sempre tivemos Espúrios e AnÃbals, estes sempre emboscaram corpos com redes, e não almas com corrompimento disfarçado de liberdade.
Afirmo que nada é mais terrÃvel do que a degeneração mandatória dos dias de hoje, todavia pergunto o que há mudado na essência humana, e é através dessa resposta que discordo, também, do colega criticado e concordo com o criticante. A moral não sumiu, cavalheiros, a moral não pode sumir, pois a moral sair de um ser humano é como o fim sair do fim de um ano.
Não me aterei esse ponto, deixando como sugestão aos interessados investigar o auto-interesse de quem se diz amoral, e ressalto como essa discussão está relacionada com a questão inicial. O que é desenvolver os bons costumes e adaptá-los aos dias de hoje senão contra a névoa corroedora e cancerosa vedar as rachaduras do edifÃcio ocidental? Nossos esforços, mesmo que modestos, inspirarão outros a fazerem o mesmo, e não creia que esse seja um esforço meramente altruÃsta, pois de certo modo todos habitamos suas instalações.
Assim instigo os interessados: ressucitemos a boa moda, ou ao menos nosso interesse por ela!
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